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The Last of (((us))) parte II

7 Mins read

As referências judaicas de Last of Us part II e seus significados.

Por: Camila Ya’akov

Screenshot do gameplay de BRKsEDU no Youtube.

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Este texto é continuação de The Last of (((us))).

Já sabemos que The Lat of Us par II tem uma cena maravilhosa em uma sinagoga, onde judeus e o judaísmo são muito bem apresentado pela personagem judia Dina, mesmo que de forma breve. Principalmente nessa cena, há várias referências a cultura judaica, tanto na sinagoga quanto no diálogo de Dina com Ellie e na própria Dina.

Aqui, mostraremos quais são essas referências e o que significam.

Dina

Veja como é Dina de The Last of Us II na vida real | Pixel Nerd
Dina (à esquerda) e a atriz Cascina Caradonna.

O próprio nome Dina tem origem hebraica e é bíblico. Vem de Dinah (Diná) preferencialmente significa ‘julgamento‘ e ‘aquela que julga‘, embora também permita aplicar algumas outras interpretações como ‘a justa‘ ou ainda ‘a vingada‘. Trata-se de um nome que faz referências à importância da justiça enquanto formadora de caráter, porque ela fornece a medida exata dos pecados cometidos e oferece a punição a partir disto.

Na Torah, Dinah foi filha do patriarca Yaakov (Jacob) com Leah, sua segunda esposa. Sua história é contada na parashat Vaiyshlach (Bereshit 32:4-36:43).

Seu clã, em dado momento, se assentou nas proximidades de uma cidade que se localizava na região de Canaã. O rei do local era chamado de Hamor e o seu povo conseguiu desenvolver uma relação amistosa com os judeus nômades que passaram a habitar os entornos. Quando Diná foi visitar algumas amigas que havia feito dentro do município, ela foi violentada pelo príncipe Siquém, que se encantou com sua beleza e por ela acabou se apaixonando, fato que o levou a procurar o pai da moça a fim de providenciar o casamento.

Como dote pela união, a família real ofereceu comércio mútuo e a possibilidade de casamento entre os dois povos. Em contrapartida, os parentes da jovem exigiram que, além do já oferecido, se acrescentasse o acordo para que todos os homens da cidade fossem circuncidados, para que estivessem em consonâncias com as leis hebraicas e o matrimônio fosse legítimo perante os olhos de Deus.

A medida foi aceita e, três dias após terem selado os requisitos, os irmãos da jovem vítima, Simeão e Levi, aproveitaram-se da fragilidade gerada pela circuncisão e foram até o reino para assassinar todos os homens presentes, vingando a desonra sofrida.

Em Last of Us, Dina é o par romântico de Ellie. Sua aparência foi feita com base na atriz Cascina Caradonna. Não temos a informação se Cascina é judia.

Pulseira de Dina

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é the-last-of-us-part-2-1.jpg
Montagem de screenshots publicadas no Reddit.

Como visto na imagem acima, a pulseira de Dina não é só uma pulseira, mas um símbolo de suas origens. Na pulseira há um hamsah, símbolo comum nas tradições judaica, islâmica e cristã (a famosa mão de Fátima) que tem como significado afastar energias negativas. Quando dado de presente, atrai sorte.

O símbolo tem origens pagãs no Oriente Médio e também se apresenta em outras culturas no leste asiático.

Não há proibições na Torah sobre o uso pingentes e pulseiras com hamsah, magen David (estrela de Davi) e outros símbolos comuns na cultura judaica. A proibição viria caso você depositasse sua fé nesses símbolos e não em Hashem.

Sinagoga

Bom, esse é o básico, mas algumas pessoas ainda não conseguem explicar muito bem o que seja. Sinagoga é o templo judaico. Não é o Templo Sagrado (Beit Hamikdash), mas é um templo onde os judeus congregam e oram e fazem suas celebrações religiosas, é beit (casa).

O termo shul, que aparece na carta da rabina Zivah encontrada por Ellie na sinagoga do jogo, é o equivalente em iídche par sinagoga.

Até o momento, não temos a informação se a sinagoga do jogo foi inspirada em alguma sinagoga de Seattle ou foi totalmente criada para o jogo.

Menorah

Logo que você entra na sinagoga, você já dá de cara com uma menorah gigante de cada lado seu. A menorah é um candelabro de 7 braços que fica disposto em sinagogas. Originalmente, eram feitas com ouro batido. Ao contrário do que diz alguns sites cristãos, a menorah não simboliza JC, mas os arbustos em chamas que Moshe viu no Sinai.

Hoje a menorah também é um dos símbolos do Estado de Israel e está presente na bandeira da capital sagrada, indivisível e eterna de Israel, Jerusalém.

Obs.: Nenhum, eu disse nenhum, NEM UM mesmo, símbolo judaico representa JC. O judaísmo antecede o nascimento de JC e ele não é o Massiach judaico. Na verdade, JC sequer faz parte da crença judaica, então, não há como um símbolo judaico representá-lo.

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Torah

Screenshot do gameplay do BRKsEDU no Youtube.

Como brevemente explicado por Dina no jogo, Torah é a escritura sagrada judaica. Mas não só há a Torah escrita (Tanakh) como também há a Torah oral (tradições). Toda sinagoga tem um rolo de Torah, como o que aparece no jogo. Esses rolos são escritos a mão, em pergaminho e em hebraico, e só podem ser escritos por um estudioso da Torah apto a fazer esse trabalho.

Na IDF, quando os soldados saem em operações, há “sinagogas de campanha”. Um soldado é escolhido para levar consigo, nas costas, o rolo de Torah que ficará nessa sinagoga.

Maçã coberta de mel

Como Dina cita, no ano novo judaico, o Rosh Hashanah, é costume comer, dentre outras coisas doces, maçã com mel. O costume vem com a simbologia de termos um ano novo bom e doce.

Calendário judaico

No jogo, o calendário judaico apresenta o ano de 5774. Estamos no ano de 5780. Não estamos no futuro, como questiona Ellie (ou será que os judeus estão a frente do seu tempo?), mas a contagem do calendário judaico é feita de forma diferente do calendário gregoriano ao qual estamos habituados.

Como o calendário judaico é lunar, os dias começam ao anoitecer do primeiro dia e terminam ao anoitecer do dia seguinte.

Em Israel, ambos os calendários são válidos. O judaico para datas comemorativas, feriados, shabat, ano shabatico da agricultura etc e o gregoriano para atividades econômicas e pagamentos salariais.

Reza

O judeu reza. Reza muito. E acredita muito no poder da oração. Para o judeu, a oração pode mudar o rumo da sua vida. Como Dina diz, ajuda a ver melhor as coisas e dá tranquilidade.

Seja luz

Screenshot do gameplay do BRKsEDU no Youtube.

Para finalizar este texto quilométrico, a carta da rabina Zivah Saunders. Ou pelo menos a segunda parte dela.

“[…] queria deixar uma última reflexão: para cada curva no caminho que nos afasta de um mundo melhor, uma correção ainda mais enérgica aguarda adiante. Não deixe de ter esperança pelo futuro.

Como diz o velho ditado, ‘uma única vela acesa rompe a escuridão’.

Que D’us o proteja sempre.”

– Rabina Zivah Saunders, personagem de The Last Of Us part II.

Tradicionalmente, nao há rabinas no judaísmo. Pelo menos não no judaísmo ortodoxo. Mas algumas comunidades de outras linhas tem apresentado mulheres nesse cargo. Provavelmente, a sinagoga (lindíssima) apresentada no jogo deva ser de uma comunidade reformista. Do mesmo jeito, a mensagem exalando Torah da rabina Zivah é tocante.

Luz. A luz tem um significado lindo e grande no judaísmo. Bom, se você conhece um judeu, sabe que judeu gosta de velas (haha). E as velas são o objeto perfeito para se fazer uma analogia ao significado de luz para os judeus. Esse significado é sempre lembrado no Chanukkah (ou, como muitos erroneamente chamam, Natal judaico), que é a Festas das Luzes.

A alma no corpo é semelhante à chama no pavio. O fogo consome a cera ou o azeite, sem se desgastar. O corpo, não a alma, é consumido pela vida.

Mesmo que haja várias chamas, haverá somente uma única luz na sala. Embora haja muitas almas no aposento, há apenas uma vida presente. A vela tem forma, porém a chama não tem um formato que possa chamar de seu. O corpo tem forma definida, ao passo que a alma é disforme. A chama é dirigida e movida pelo vento. Vento em hebraico é a mesma palavra que Espírito, Ruach, que dirige e move a alma.

O tamanho da chama não é determinado pelo tamanho da vela. O “tamanho” da alma não é determinado pelo tamanho do corpo. Uma pessoa com um corpo pequeno não necessariamente possui uma alma “pequena”.

Embora a vela tenha muitas características ou usos possíveis tais como selar e lubrificar, seu propósito básico é iluminar. O mesmo se aplica ao corpo. Embora tenha muitas funções, sua tarefa essencial é abrigar a alma para trazer luz ao mundo.

Não importam a cor e o formato da vela, a cor da chama não muda. Não importa a cor ou o tamanho do corpo, a “cor” da alma não é afetada. A porção mais quente da chama é a parte superior. A alma é o aspecto superior do homem.

Pode-se acender milhares de velas a partir de uma única vela sem perder nenhuma parte da sua luz original. Na verdade, cercada por outras velas acesas, ela mostra ainda mais luz. A alma também pode acender outras almas, tornando-as conscientes do objetivo da vida, e então se torna ainda mais iluminada, porque foi fundamental na missão de espalhar a luz.

E é aqui que entra o significado do velho ditado citado pela rabina Zivah. Se você está em um quarto completamente escuro e acende uma vela para poder enxergar, a escuridão acaba. Se nesse quarto havia com você uma pessoa com medo de escuro, ao acender a vela e trazer luz, você trouxe um ambiente tranquilo e seguro para essa pessoa.

No Chanukkah, é costume acender a chanukkiah (uma variante da menorah, com 9 braços. Das 9 velas acesas em si, 8 simbolizam o milagre do azeite no Templo recuperado pelos Macabeus, que havia apenas em quantidade para um dia e durou 8, a outra, para acender essas 8 velas) na janela das casas, para a rua. Um dos motivos é para que sirva para iluminar o caminho de quem possa estar andando na escuridão.

Nossas ações influenciam as pessoas ao nosso redor. Se nossas ações são positivas (luz), as influencias também serão. Seja luz, pois “uma única vela acesa rompe com a escuridão”.

Camila Ya’akov é colaboradora do Maduah e streamer de jogos para Android, sob o apelido Agente Morse. Você pode segui-la na redes sociais e acompanhar suas lives clicando aqui.

Este texto contém partes dos seguintes artigos:

A Vela, disponível em Chabad.org.

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