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O que aprendi com 9 de Av?

7 Mins read

Hoje, até o entardecer, é 9 de Av, data da destruição dos Primeiro e Segundo Templos e dia de luto.

Por: Camila Ya’akov | Maduah

Detalhes do Arco de Tito, que mostra os romanos carregando os símbolos judaicos que roubaram do Templo. O monumento é uma expressão de orgulho a uma opressão cometida e não uma homenagem a judeus, como muitos pensam.

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Nota: Este texto possui caráter pessoal (opinião)e reflete as opiniões de seu autor.

Nove de Av é a data mais triste do calendário judaico. Foi nesta data que os hebreus foram condenados a morrer no deserto e a sua entrada em Israel foi adiada em 40 anos. Também nesta data ocorreram as destruições dos Primeiro e Segundo Templos. Ainda ocorreram a queda de Betar e a expulsão dos judeus da Espanha e da Inglaterra.

Como costume do dia, os judeus fazem jejum e esse jejum marca o fim das 3 semanas de luto do povo judeu. As Três Semanas marcam um período de luto anual no qual lamentamos a destruição do Templo Sagrado e o início de nosso exílio. O período tem início no dia 17 do mês hebraico de Tamuz, data que marca a destruição das muralhas de Jerusalém pelos romanos em 69 da EC (Era Comum).

O período é introspectivo. Nos faz pensar no que aconteceu e no que fazemos. Destruição e renovação. Mas onde devemos nos renovar?

“Em cada geração que o Templo não é [re]construído, a culpa é dela [da geração]”

O Segundo Templo

O Segundo Templo foi destruído por ódio gratuito. Hoje, o que mais vemos, principalmente em rede sociais, é ódio gratuito. Sábios também dizem que o Segundo Templo foi destruído por causa de lashon harah (falar mal) de judeus contra outros judeus.

Lashon Harah é proibido mesmo que seja verdade. Salvo quando você já passou por algo ruim na mão de alguém e o seu próximo comenta que está passando pela mesma situação. Um exemplo: você compra um produto pela internet, paga por ele e não o recebe. Quando você vai procurar a loja para reclamar, você descobre que a loja não existe e fostes vítima de golpe. Um tempo depois, um amigo seu lhe diz que comprou um produto de uma loja na internet, pagou e não recebeu. Você confere e se trata da mesma pessoa que te aplicou um golpe. Nesse caso, você pode falar ao próximo a situação que aconteceu contigo.

Falar mal de alguém acaba refletindo em ódio. A difamação, a calúnia e a fofoca não são coisas positivas. Elas atrapalham a vida das pessoas e a sua vida também. Aqui também entram outras questões, como fazer mal ao próximo, interferir no livre arbítrio alheio, causar dor e sofrimento etc que corroboram para que decretos negativos caiam sobre nossas vidas. Apesar da frase ser muito rejeitada hoje em dia, ela é cabível ao que quero dizer aqui: palavras machucam.

Vingança

A vingança também te arrasta para o ódio. Em fato, ela é alimentada pela raiva, que por si só já é algo negativo. O que é alimentado pela raiva não vai dar bons frutos. Você pode fazer uma experiência em casa e até mesmo comprovar o que acabei de falar sobre palavras machucarem: se você pegar duas plantinhas e falar coisas boas para uma e coisas ruim para a outra, a plantinha que só recebeu coisas ruins adoecerá e morrerá.

Esse tipo de experiência já foi feito por várias pessoas e é ótimo para ensinar as crianças sobre respeito com os demais.

Uma situação que eu vejo acontecer com certa freqüência atualmente é a de acusações falsas de estupro ou de agressão para se vingar de parceiros sexuais ou cônjuges. Outra é o famoso “revenge porn” (vingança pornô), onde as pessoas expõem em modo público (“vazam”) fotos de outras pessoas em situação de nudez ou semi-nudez. Em ambos os casos, o intuito é buscar, além da humilhação, o escárnio dos alvos.

E esses são apenas dois exemplos.

A vingança é arquitetada. Não é como um ladrão dar um tiro em uma pessoa que está do seu lado e você conseguir acertar um objeto na cabeça dele e apaga-lo. Esse caso que cito agora é legítima defesa e jamais deve ser considerado como vingança. A vingança não tem como objetivo parar o mal. A vingança é o mal sendo posto em prática.

Demagogia e guerras ideológicas

Desejar o mal para pessoas que não se alinhem ideologicamente a nós também é ódio. Aliás, desejar o mal a alguém, independente de quem seja, por si só te leva ao ódio.

Toda essa demagogia dos dias atuais, justificando opressões e preconceitos por questões políticas, também é ódio. E aqui entramos em um terreno delicado, onde para se discutir o assunto é necessário pisar em ovos, mas ele nos mostra a frágil linha que separa o “agir com justiça” do “agir por conveniência” em que a nossa geração caminha.

Vemos pessoas arrumando inúmeras formas de inocentar alguém que tenha feito coisas ruins a outras pessoas apenas por simpatizarem com essa pessoa, enquanto esses mesmos defensores condenam sem nem piscar os olhos alguém que eles nao gostem, mesmo sem saber se há verdade no que é dito sobre aquela pessoa.

E aqui entra também o “julgar positivamente”.

Julgamento positivo

O julgamento positivo nos lembra de “saber antes de emitir opinião” para buscar uma avaliação justa das pessoas. A pessoa falou aquilo mesmo ou ela se confundiu? A pessoa riu naquele momento de tristeza por não ter empatia ou estava tão nervosa que acabou reagindo daquela maneira? Aquela criança gritando no meio do shopping e com as mãos nos ouvidos, ela está fazendo birra ou ela pode ser uma criança autista que teve uma crise nervosa devido ao barulho do ambiente?

Quando você dá as pessoas o benefício da dúvida e considera “inocente até que se prove o contrário”, você está praticando um ato de justiça com o próximo – que também é um ato de amor.

Não testemunhar o que você não viu

Seguindo a linha de julgamento positivo: você não confirma o que você não viu. Aqui poderemos falar sobre ser testemunha ocular de algo. Mas como essa geração está imersa no mundo cibernético, a maior parte da comunicação das pessoas se dá pela escrita ou por vídeos e nem sempre são em tempo real.

Aqui é um lembrete ate mesmo sobre interpretação textual e sobre as pessoas interpretarem o que elas querem, mesmo não havendo espaço para tal interpretação. As pessoas tendem a tomar para si como verdade o que lhes parece mais confortável ou esteja alinhado com suas opiniões pessoais. Isso é uma armadilha perigosíssima para o nosso senso de justiça e prática de amor ao próximo.

Recentemente, corrigi uma pessoa na internet sobre a etnia de JC e fui atacada por ser sionista. Chamaram-me de apoiadora de genocídio e apartheid. A pessoa afirmou sobre mim algo que não é real por mera conveniência. Em outro ponto da discussão, eu falei que o nome Palestina foi dado a região por invasores. Quem estudou o mínimo da história do Levante sabe que isso é verdade. Fui acusada de ser racista com palestinos.

Não houve julgamento positivo, foi testemunhado (afirmado) algo que a pessoa não viu (sabe) sobre mim e foi em público.

Em um caso mais leve, e esse foi até engraçado, acusaram nós, do Maduah, de sermos comunistas e apoiarmos “ladrão” pois publicamos uma notícia sobre a China declarar apoio a Palestina. Não emitimos opinião, o texto da matéria é jornalisticamente ético e isento e até o momento, não sabemos quem é o tal “ladrão” que nos acusaram de apoiar, já que ladrão também virou uma ofensa corriqueira.

Judeus contra judeus

“Ai de nós se nos degenerarmos desse jeito novamente. Ai da nossa democracia se o irmão pegar em armas contra o irmão”
– Presidente Rivlin.

Ontem (29), o comediante judeu americano Seth Rogen sofreu inúmeros ataques nas redes sociais. O motivo foram declarações um tanto polêmicas sobre o Estado de Israel.

A revista Mondoweiss publicou que Rogen disse que o “estado de Israel é ridículo e baseado em limpeza étnica” como título de sua matéria. No corpo da matéria, foi publicado que Rogen disse que “Não faz sentido você colocar todos os judeus em um mesmo lugar para protegê-los. Eu colocaria esses judeus em lugares seguros, espalhados” e também disse que “Eu cresci ouvindo muita mentiras sobre Israel. Eles não contam a verdade para você, eles fazem isso parecer como se fosse só chegar lá, abrir uma porta e entrar. Eles não falam coisas como, você sabe, que pessoas moram lá”.

O que foi publicado no corpo da matéria também foi posteriormente confirmado por revistas judaicas, como a Forward, mas nada sobre ser “rídiculo e baseado em limpeza étnica”. Rogen também haveria dito no podcast que participou que ele tem “100% medo de judeus” e que “se há pessoas que podem contrariar eles, essas pessoas saão dois judeus famosos”, se refirindo a ele e ao apresentador do podcast.

Muitas pessoas fizeram críticas ponderadas a Rogen, mas boa parte das criticas ofensivas partiam de judeus que se informaram pela Mondoweiss.

A Mondoweiss é famosa por ser antissemita. E, como já ficou claro aqui, não foi honesta sobre o que Rogen disse. Novamente, não houve julgamento positivo, foram testemunhadas coisas que não foram vistas (não aconteceram), ele foi diminuído em público e ainda teve a questão ideológica como combustível. Por judeus, como ele. As pessoas que fizeram isso estavam com ódio. Lembram que falei que sábios acreditam que o Segundo Templo foi destruído por lashon harah de judeus contra judeus?

Recentemente, israelenses pró e contra Netanyahu se confrontaram violentamente em Tel Aviv. Entao a lição de “não pegar em armas contra o irmão” não é só sobre judeus e não-judeus. É você e seus compatriotas. É você e as pessoas ao seu redor. É você e qualquer ser humano na face da terra.

Mashiach

Mais cedo vi um perfil judaico que publicou um vídeo de uma live de título “Somos sinceros em nossa espera pelo Mashiach?” e, agora, essa pergunta (auto-crítica) me faz todo o sentido: se acreditamos que amar o próximo é uma das formas de antecipar a vinda do Mashiach e até mesmo temos uma oração onde nos comprometemos na mitzvah de amar ao próximo, por que temos esquecido desse conceito tão básico e universal da Torah de amor ao próximo?

“Esperamos pelo Mashiach todo os dias e, se ele tardar a vir, ainda assim esperarei”

Se nós queremos Mashiach agora, precisamos pavimentar a estrada para recebê-lo.

“Ame ao próximo como a ti mesmo” – Vaicrá 19:18.

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